Era noite escura. Enquanto as luzes da cidade brilhavam sonolentas, ela fomentava um sono inquieto. Os travesseiros dançavam reviravoltas, os cobertores saltavam por cima um do outro e seu corpo rodopiava a cama em sentidos horários e anti-horários.
Um sussurro gritou nos seus ouvidos. Abriu os olhos assustados, procurou na escuridão qualquer movimento invasivo e levantou em um pulo. Tocou a parede e acendeu a luz. Baixa, impenetrável, branca. Nada. Sentou-se na cama, apoiou a cabeça nas mãos entre as pernas. Sua mente estava inquieta. Sentia-se chamada há dias e nem por um segundo parecia estar perto de descobrir o que dentro dela pulsava.
Levantou-se novamente, dessa vez conformada com a noite perdida. Não o sono, muito menos o sonho, apenas uma noite. Abriu a varanda e deitou-se no piso frio. Tocou as ranhuras do chão como quem lê um livro em alto relevo. Procurava a mensagem que ouvira em tudo. Queria explicações.
Respiração baixa, pensamentos controlados em meditação. Descansava o corpo e a mente. De repente, uma luz nos olhos fechados a cegou. Assustada, levantou-se. O único sinal de luz perceptível e luminoso vinha do céu.
Pano preto estrelado brilhando cores brancas imóveis, furtando aos seus olhos uma dança eólica de galáxias. Debruçada no corpo jônico, abraçou o horizonte. Deixou o dia penetrar seu corpo. Tocou a fluorescência de cores pinceladas a um palmo de distância de seu rosto. Fitou a janela. Com um movimento calmo e demorado, abriu o cadeado enferrujado e forte.
Pulou.




